Ruth chegou na Austrália em 2016, aos 28 anos de idade, depois de uma demissão em massa na empresa onde trabalhava no setor de Recursos Humanos. Ela usou o valor que recebeu na rescisão do seu contrato de trabalho para fazer um intercâmbio e aprimorar o inglês. O que era pra durar seis meses se estendeu bastante, e Ruth morou nove anos na Austrália.
Nesse período ela ficou fluente no idioma e mudou de profissão. Como vários estudantes, assim que chegou, foi trabalhar em restaurante, e apesar de início não ter gostado da experiência, e de ter trabalhado em escritório por um período de dois anos enquanto estava na Austrália, ela descobriu que gostava e queria se desenvolver na área de hospitalidade, onde voltou a trabalhar, estudou, se dedicou, e hoje é maître.
Seu parceiro, inglês, é chef há mais de 25 anos e segundo ela, as conversas em casa giram muito em torno do "universo" dos restaurantes, pratos e bebidas.

Ruth com o parceiro na Austrália. Ela conta que foi difícil convencê-lo a ir morar no Brasil. Source: Supplied
Segundo Ruth, a área de hospitalidade está vivendo uma fase ruim na Austrália, com vários restaurantes fechando as portas, enquanto no Brasil o movimento tem sido oposto, com um 'boom' de novos estabelecimentos.
Entre os planos do casal, está abrir um restaurante próprio, no Rio de Janeiro. Abaixo estão alguns trechos do que a Ruth nos contou nessa entrevista:
"Eu fiquei todo esse tempo na Austrália mais por causa do meu parceiro, porque ele não queria vir morar comigo no Brasil".
Eu morei na Austrália todo esse tempo, mas sempre pensando que eu queria voltar, que eu ia voltar um dia.Ruth de Assis, maître
"A Austrália tem muitos benefícios. É um país seguro pra se morar. Lá você tem a possibilidade de mudar de carreira. A gente tem muita pressão aqui (no Brasil) em termos de carreira. E na Austrália eu não sinto isso. Então foi a minha chance de fazer algo que eu realmente gosto".
"Os grupos (de música brasileira na Austrália) que mantiveram minha saúde mental e me mantiveram por mais tempo sem querer largar tudo e ir embora. Ter esses laços na Austrália com músicos, com pessoas que se manifestam culturalmente, foi o que me manteve um pouco mais feliz".

Ruth e o parceiro já no Brasil, onde chegaram em janeiro deste ano para morar. Source: Supplied
Eu tenho passaporte australiano, mas não sou australiana de verdade. Eu não falo como eles, não vivo como eles.Ruth de Assis, maître
"Fazer amizade na Austrália não é fácil. Acho os australianos bem fechados para fazer amizade com imigrantes".
"A volta ao Brasil tem momentos fáceis e momentos difíceis. Tivemos problema de adaptação com a comida no começo. E o caos, muita buzina. Mas são coisas 'bobas'".
Aqui (no Brasil) eu me sinto viva. Não fico nas redes sociais. Tenho sempre coisa pra fazer. Estamos animados para esse novo capítulo nas nossas vidas.Ruth de Assis, maître
Helena morou por seis anos na Austrália, mas tinha saído do Brasil bem nova, aos 23 anos de idade, e tinha passado pelos Estados Unidos, Japão, e até Afeganistão. Ela conheceu o marido australiano quando estudava na Inglaterra. Quando eles terminaram o MBA que faziam juntos, resolveram se mudar para Sydney, para trabalhar e ficar perto da família dele.

Helena com o marido e o filho em Sydney, grávida da filha mais nova, que tinha três meses de idade quando eles se mudaram para o Brasil. Source: Supplied
Acho que nunca me passou pela cabeça voltar para o Brasil. Mesmo com saudade, já tinha me desvinculado dessa ideia de voltar.Helena Passos, gerente de marketing
"Eu achei a Austrália muito receptiva. É uma cultura muito aberta a receber estrangeiros, então tem uma diversidade cultural. É um país que preza muito pela natureza, conservação do país, limpeza, o transporte funciona. Tem muito emprego. A gente acha emprego com facilidade".
"Tem os pontos negativos. O custo de vida em Sydney é muito alto. Tem muito regulamento. Por exemplo, não é como para o brasileiro, que pode tomar uma cervejinha na praia. Mas isso é parte da adaptação, e acho que se colocar na balança, a Austrália tem muito mais pontos positivos do que negativos".
"Eu gostei muito da experiência de morar por seis anos na Austrália e nós pretendemos voltar um dia, pois os nossos filhos nasceram na Austrália, então é bom entenderem que eles tem acesso também a esse país, se eles quiserem".
"A nossa vida era bem estável. Eu trabalhava num banco, meu marido tinha um emprego ótimo, eu tinha a residência permanente, ainda tenho. Então não havia nenhum impedimento para continuarmos morando na Austrália".
"Foi uma decisão muito bem pensada essa de ir morar no Brasil. Em Sydney, só tínhamos os pais do meu marido como suporte. Depois que tivemos filhos, precisávamos de uma rede de apoio maior. Aqui no Brasil minha família é mais numerosa".
Como trabalhamos para empresas globais, em home office, e recebemos nosso salário em dólar, nossa condição financeira é bem melhor no Brasil.Helena Passos, gerente de marketing
"Acho que ainda estamos em processo de adaptação, acho que não pára. Eu acabo resolvendo mais coisas porque meu marido tem um português legal mas que ainda o limita".
"Temos muitos amigos, até porque eu mantive uma rede de amizades aqui. Meu marido agora não quer voltar. Está muito feliz vivendo no Brasil".

Helena com os filhos no Brasil. Ela conta que os dois estão muito bem adaptados à vida no país. Source: Supplied
More no lugar que faça mais sentido para você naquele momento da sua vida. Mas claro que nada vem sem esforço. Pesquise e corra atrás.Hele Passos, gerente de marketing
"Eu sempre tive esse lema para mim: 'Não se sinta confortável demais a ponto de ser complacente'. Tem um mundo à sua volta".
Para ouvir a entrevista completa, clique no botão 'play' desta página. Caso prefira, pode também ouvir o episódio completo na sua plataforma de podcasts preferida, através do perfil da SBS Portuguese.
Siga ano , e ouça . Escute a às quartas-feiras e domingos.
Pode também fazer o download gratuito da aplicação SBS Audio e seguir a SBS Portuguese. Para usuários de iPhone: download da aplicação na Usuários de Android: download da aplicação no