"Se o povo australiano confiar ao nosso governo trabalhista um segundo mandato, um único objetivo será a base da nossa política de saúde. Até 2030, queremos que nove em cada 10 visitas ao clínico geral tenham cobertura integral".
Essa foi a fala do primeiro-ministro Anthony Albanese ao anunciar o investimento de A$8,5 bilhões no Medicare, o sistema público de saúde, em uma visita pré-eleitoral à Tasmânia.
A visita a Launceston é uma das várias que o primeiro-ministro fez à Tasmânia nos últimos meses, destacando o estado como um local-chave na batalha eleitoral.
Mas o primeiro-ministro diz que não se trata de política: "Essa é uma meta ambiciosa, mas as pessoas merecem ambição do seu governo em relação ao Medicare. Porque assim como todo australiano quer o melhor atendimento de saúde possível para sua família, nosso governo quer o melhor atendimento de saúde possível para cada australiano".
Mas o anúncio rapidamente se transformou em um olho por olho político, com a eleição se aproximando, apesar de ainda não ter data definida.
O líder da oposição, Peter Dutton, igualou a promessa do Partido Trabalhista com um investimento próprio:
"Tenho o prazer de anunciar que o governo da Coalizão está comprometido com A$ 9 bilhões em investimentos em nossa rede de clínica geral. Ele dará apoio ao treinamento, aos serviços de saúde mental e para garantir que as práticas sejam viáveis e possam fornecer uma combinação de serviços aos pacientes. Ajudaremos a construir taxas de cobertura integral de volta ao que eram sob um governo da Coalizão".
A senadora liberal e porta-voz da saúde Anne Ruston, disse que o aumento do financiamento da saúde pelo Partido Trabalhista é muito pequeno e tardio: "Não ficaremos no caminho da confusão que o governo trabalhista criou e que agora está tentando remediar".
O ministro da Saúde, Mark Butler, reagiu, dizendo que o líder da oposição não é confiável: "Quem tentou abolir completamente o faturamento em massa com um imposto de GP que todo australiano teria que pagar toda vez que fosse ao médico? O homem que os médicos da Austrália votaram como o pior ministro da saúde na história do Medicare. Você o conhece: Peter Dutton".
O líder do Partido Verde, Adam Bandt, também disse que não confia em Peter Dutton:
"Os Verdes estão pedindo ao Primeiro-Ministro para trazer o Parlamento de volta na próxima semana, quando metade do Senado estará lá de qualquer maneira. Vamos usar esta oportunidade antes que a eleição seja convocada para transformar o 'GP For Free' em lei, para que todos o tenham como garantia. Dessa forma, não estará sujeito aos caprichos de Peter Dutton e Pauline Hanson".
Com o Medicare como foco em uma campanha eleitoral que ainda não começou oficialmente, grupos de médicos expressaram preocupação sobre a eficácia dessas promessas de investimento.
A taxa de bulk billing, a cobertura integral de consultas na Austrália, despencou para 20,7% no início de 2025, abaixo dos quase 36% (35,7%) dois anos antes, de acordo com dados divulgados em janeiro pelo diretório de assistência médica Cleanbill.
O provedor regional de serviços de clínica geral, Hamish Meldrum, disse que o financiamento ajudaria na assistência médica de GPs em comunidades regionais e remotas.
Mas o presidente do Royal Australian College of GPs, Michael Wright, disse que nem todos terão cobertura integral de consultas no futuro, pois os descontos para pacientes ainda são muito baixos para cobrir o custo do atendimento.
A presidente da AMA, Associação Médica Australiana, Dra. Danielle McMullen, concorda:
"Em áreas que já tem cobertuta integral de consulta, isso realmente ajuda na sustentabilidade e ajuda essas clínicas a manterem suas portas abertas. E em muitas partes da Austrália, onde médicos e clínicas acabaram de introduzir pequenas despesas diretas apenas para manter suas empresas vivas, isso os ajudará a permanecer abertos e potencialmente remover esses custos diretos e melhorar a acessibilidade para os pacientes".
E completa: "Em outras partes da Austrália, acho que precisamos reconhecer que isso não será suficiente para mudar as práticas de cobrança, particularmente nos grandes centros, onde o custo médio direto agora é muito mais do que A$40, e então o incentivo extra de A$20 não cobre esses custos extras de atendimento. Mas (isso) nos permite, dá aos médicos um pouco mais de flexibilidade para tomar essa decisão".
A opinião dos eleitores se divide: "Neste ponto da minha vida não faz diferença nenhuma. Eu me consulto de graça de qualquer maneira. Mas estou feliz por aqueles que vão ter essa oportunidade".
"Espero que isso incentive mais clínicos gerais a praticarem bulk billing e abrirem mais horários, porque, no momento, é muito difícil ir ao médico".
"Tenho um orçamento muito apertado, de forma a não querer ir ao clínico geral porque custa muito caro".
A Dra. Danielle McMullen, da AMA, alertou os pacientes para não criarem esperanças muito rápido. Ela diz que o aumento do investimento no Medicare não será uma resolução imediata:
"Incentivamos a comunidade a entender que, embora isso aumente a elegibilidade para esses incentivos, isso não significa que cada consultório passará a oferecer cobertura integral de consultas da noite para o dia".
Ela diz que mudanças mais amplas ainda são necessárias: "Acho que ajudará em algumas áreas em particular que estão em desvantagem. Mas não podemos perder de vista a necessidade de reformar o Medicare de forma mais ampla e garantir que estamos realmente apoiando os australianos com doenças crônicas, doenças mentais, nossa população envelhecida - e reformando a estrutura para que todos os australianos tenham acesso a descontos apropriados, não importa quanto tempo eles precisem passar com um clínico geral".
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